Suicídio na Idade Adolescente

Novembro 10, 2021by Joana Rolo
Suicídio na Idade Adolescente

O suicídio é, a nível mundial, a quarta causa de morte mais frequente nas idades compreendidas entre os 14 e os 19 anos (World Health Organization, 2021). Como tal, é essencial falarmos sobre este tema de forma a podermos, de forma eficaz, prevenir e intervir atempadamente nestas situações.

Assim, trago-vos hoje o meu contributo acerca do tema tentativas de suicídio na adolescência. Designa-se por suicídio a vontade expressa e consciente de pôr termo à vida e que acaba por ser cumprida; tentativa de suicídio, por sua vez, é qualquer ato que seja efetuado com o objetivo de efetivar essa vontade mas que, por algum motivo, não prevalece (Marcelli & Braconnier, 2005). Por seu turno, ideação suicida é todo o pensamento que comporta a ideia de pôr fim à própria vida, ainda que possa não comportar intencionalidade de morrer (Berman & Silverman, 2014). Convém ainda esclarecer o conceito de comportamento autolesivo: ato que comporta a intencionalidade de se magoar, mas que não implica intenção de morrer (Guerreiro & Sampaio, 2013).

Vários fatores têm sido considerados de risco para @s jovens, com base n@s adolescentes que efetuaram tentativas de suicídio. Os fatores mais citados pela literatura são: problemas de saúde crónicos, problemas na regulação do impulso/comportamento agressivo ou desafiante; consumo de substâncias (drogas, medicação, etc); diagnóstico de perturbação do humor ou de ansiedade; histórico de suicídios transgeracionais na família; abuso físico/sexual; luto; violência sofrida (e.g., bullying) ou realizada; pertencer a um grupo socialmente minoritário e ser adotado (Marcelli & Braconnier, 2004; Staff, 2021). Note-se que estes fatores de risco atuam em interação com o contexto, sistema familiar e social em que a criança cresce, bem como com o temperamento biológico da mesma e, portanto, não devem ser analisados de forma isolada.

Prestar atenção aos adolescentes, aos seus sentimentos, crenças e condutas é essencial na adoção de uma postura preventiva da doença mental e, por conseguinte, do suicídio. Podem ser considerados sinais de alerta os seguintes:

– Marcado isolamento social;

– Uso recorrente de álcool e outras drogas;

– Falar ou escrever acerca do suicídio (e.g. “não serei um problema durante muito mais tempo”);

– Manifestar desesperança perante a vida;

– Adotar comportamentos autodestrutivos (e.g., automutilação, abuso de substâncias, comportamentos de risco como conduzir sob o efeito de substâncias, etc);

– Mudanças acentuadas nas rotinas (especialmente na rotina sono-vigília);

– Distribuir os seus bens pessoais sem nenhuma razão lógica;

– Marcada tristeza e/ou ansiedade perante o dia-a-dia;

– …

Se desconfiar que alguém poderá estar com ideação suicida, deverá abordar o assunto com el@ e abrir um canal de comunicação seguro onde a pessoa possa falar livremente sobre o que sente. De seguida, deverá encaminhá-la para os serviços de saúde competentes, acompanhando @ adolescente ao serviço de urgência de psiquiatria ou ligando para o 112. A equipa de saúde mental poderá, depois, triar o caso, tratando do encaminhamento para os serviços de acompanhamento adequados à situação.

Todos nós podemos assumir um papel ativo na prevenção do suicídio na adolescência, através da adoção de uma comunicação aberta acerca da saúde mental e do problema que é o suicídio. Se tomarmos atenção aos adolescentes, poderemos identificar alguns sinais de alerta muito a tempo de lhes proporcionar apoio emocional e intervenção psicológica adequados. Podemos, ainda, desencorajar o isolamento e a inibição emocional, falando de emoções e sentimentos desde idades precoces e mostrando aos jovens que não há nada de defeituoso em sentir emoções negativas: elas estão a dizer-nos algo, a dar-nos pistas sobre coisas que deveremos mudar na nossa vida para sermos mais felizes. Esta comunicação aberta permitirá que @ adolescente não se sinta sozinh@, assim como encorajará à procura de ajuda e à partilha das suas experiências emocionais mais negativas.

Normalizemos a partilha e a ajuda psicológica. Lutemos pela vida – por uma vida mais serena e feliz.

 

 

Bibliografia

Berman, A. L., & Silverman, M. M. (2014). Suicide risk assessment and risk formulation part II: Suicide risk formulation and the determination of levels of risk. Suicide Life Threat Behav.

Guerreiro, D. F., & Sampaio, D. (2013). Comportamentos autolesivos em adolescentes: uma revisão da literatura com foco na investigação em língua portuguesa. Revista Portuguesa de Saúde Pública, 31(2), 213–222. https://doi.org/10.1016/j.rpsp.2013.05.001

Marcelli, D., & Braconnier, A. (2004). Adolescência e Psicopatologia. Lisboa: Climepsi Editores.

Staff, M. C. (2021). Teen suicide: What parents need to know. Retrieved from https://www.mayoclinic.org/healthy-lifestyle/tween-and-teen-health/in-depth/teen-suicide/art-20044308

World Health Organization. (2021). Suicide. Retrieved from https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/suicide