Falo com muita frequência em consulta acerca da importância de processar as emoções – mas o que é que isso significa realmente?

O processamento emocional acontece quando experienciamos um evento emocionalmente marcante e somos capazes de integrá-lo na nossa narrativa de vida, de forma a que eventos no futuro não provoquem uma reação emocional desadaptativa. Trata-se de um fenómeno impactado pela nossa história de vida, pelas nossas memórias, crenças e experiências vividas que, no momento do acontecimento, vão influenciar a interpretação imediata do significado evento enquanto algo positivo, negativo, perigoso, etc.

Por vezes, existe uma marcada dificuldade em processar determinados eventos e emoções a eles associados. Nessas alturas, sentimo-nos como que presos dentro de uma montanha russa de emoções desadaptativas, que nos magoam, mas das quais não nos conseguimos livrar. Quando em piloto automático, podemos entrar num loop de tentativas de controlo emocional que, ao invés de nos ajudarem a ultrapassar determinada situação, nos empurram ainda mais para dentro dela. O evitamento de memórias, eventos ou emoções é frequentemente usado como uma estratégia de controlo emocional que, na realidade, só impede a integração e processamento das emoções. Na gíria, é o chamado “varrer para debaixo do tapete” – a mágoa pode até sair do nosso campo de visão durante um curto intervalo de tempo, mas está lá na mesma.

O processamento emocional pode ser um processo consciente e intencional e há alguns ingredientes chave para que ele seja bem sucedido. Entre outros, sublinho: o enfrentamento das nossas emoções e das situações (permitirmo-nos a sentir e a viver), uma correta identificação das emoções (conhecer aquilo que se sente, ligar os sintomas físicos às emoções vividas), desenvolver respostas emocionais adaptativas (em vez de respostas descontroladas que provocam outras emoções desadaptativas como a culpa e a vergonha, desenvolver estratégias de autorregulação saudáveis e que funcionem para a pessoa) e, sem dúvida, o autoconhecimento.

Ao contrário daquilo que é pretendido, o evitamento experiencial das emoções promove a durabilidade e intensidade do impacto negativo de determinado evento. Sentir, mesmo quando dói, é o caminho mais saudável para integrar as experiências emocionais na nossa narrativa de vida e seguir em frente, com mais resiliência e autoconhecimento.

Não se evite 😊