Muito ouvimos falar de resiliência hoje em dia. Mas será que conhecemos este conceito?
Segundo a Associação de Psicologia Americana, a resiliência consiste no processo de adaptação perante adversidades, traumas, tragédias, ameaças ou fontes de grande stress (e.g., problemas relacionais ou familiares, de saúde, questões financeiras/no trabalho…). Envolve, por tudo isso, um profundo crescimento pessoal. É mesmo verdade que saímos mais fortes da maioria das situações emocionalmente difíceis – é isso a resiliência: sobreviver aos tempestuosos desafios da vida com crescimento interno.
As adversidades que nos acontecem não têm de ditar o curso da nossa vida de uma forma somente negativa. Somos também responsáveis por nos descobrirmos a cada desafio que ultrapassamos. É possível crescer para um sítio melhor e saudável – mesmo através das piores coisas que nos acontecem.
Contudo, ser resiliente não significa tornarmo-nos imunes à dor. Um pouco pelo contrário, o percurso para uma maior resiliência está pejado de dificuldades e desafios emocionais. Não obstante, é um caminho que vale a pena percorrer. Ser resiliente não é ser imbatível, mas antes ser mais conhecedor de si e das suas capacidades. O autoconhecimento é uma valiosa ferramenta: quando sabemos o que temos dentro de nós, conhecemos os nossos limites e tudo aquilo de que somos capazes.
A resiliência não é um traço de personalidade que se cinge à genética. Antes, trata-se de uma característica principalmente desenvolvida e trabalhada ao longo da vida, que é aprendida através da experiência e com intencionalidade.
Existem alguns hábitos que promovem a nossa capacidade de resiliência. Esses hábitos são, no fundo, os mesmos que aplicamos para ter uma vida equilibrada, orientada para o nosso bem-estar e com autorrespeito.
Destaco os seguintes:
- Investir em relações que se baseiem na partilha genuína e empática de sentimentos e experiências;
- Depender sobretudo de si mesmo, conseguindo uma autorregulação satisfatória que não esteja dependente de terceiros;
- Ter um papel ativo e intencional no autocuidado (promover momentos de relaxamento, cuidar da alimentação, atentar na saúde física e mental…);
- Conhecer e estabelecer os nossos limites pessoais: saber dizer que não;
- Ter objetivos/propósito(s);
- Aceitar a imperfeição, a falha e a mudança;
- Aprender com as experiências passadas;
- Abraçar/reconhecer o que se sente, ao invés de fugir disso;
- Assumir responsabilidade pelos nossos atos;
- Adotar uma comunicação clara, assertiva;
- Pedir e aceitar ajuda.
Não pretendo romantizar o sofrimento, ou passar a mensagem de que a dor é algo positivo. Mas se há algo inegável é que a vida está cheia de momentos felizes e infelizes, e que não é possível vivê-la sem passar pelos seus polos. Enfrentarmos as nossas emoções e pensamentos mais difíceis é chave no processo de nos tornarmos mais resilientes. Não silencie o que sente. Enfrente-se 🙂

