Limites pessoais e Egoísmo – que diferenças?

Novembro 22, 2021by Joana Rolo

Esta publicação serve para responder a uma pergunta que me tem sido feita com frequência, quer dentro de consultas, quer fora delas: “ao impor os nossos limites pessoais, não estamos a ser egoístas?”. Para dar resposta a esta dúvida, vamos por partes.

O Egoísmo – definição

Comecemos por definir o que é o Egoísmo. Segundo a Associação de Psicologia Americana, egoísmo é a tendência para agir excessivamente de forma a beneficiar-se a si próprio, mesmo quando outros saiam prejudicados. No fundo, é não ter em conta as outras pessoas.

Estabelecimento de limites pessoais

Por seu turno, estabelecer limites significa criar regras acerca de:

  • como interagimos;
  • o que permitimos da parte das outras pessoas;
  • como queremos preencher o nosso tempo.

Assim, é seguro dizer que impor limites é assumir a responsabilidade pela nossa vida, uma vez que estamos a definir a forma como queremos ser tratados e também como reagimos a diferentes tipos de tratamento.

Estabelecer limites pessoais é algo indispensável a um bom e saudável relacionamento com os outros. Apesar da palavra poder enganar, estabelecer limites não restringe a nossa capacidade de interação com os outros – antes cria espaço para que tenhamos interações que respeitem as nossas necessidades, valores e desejos.

Existem vários tipos de limites pessoais, como: os mentais, que se referem às nossas opiniões, pensamentos, crenças, necessidades; os físicos, o chamado “espaço pessoal”; e os emocionais, que se referem aos nossos sentimentos, escolhas e decisões. Estas e outras áreas são passíveis de ter regras de boa e saudável convivência. Quanto mais autorrespeito e autoestima uma pessoa tem, mais facilmente ela conseguirá definir de forma assertiva as suas fronteiras.

Comunicação dos limites pessoais

É muito importante, no entanto, ser-se flexível e tolerante no exercício do estabelecimento dos nossos limites. Regras inflexíveis podem facilmente entrar em colisão com os limites dos outros, toldando a comunicação e dificultando muito a relação. Aí sim, estaremos a entrar no domínio do egoísmo.

Outra questão pertinente é o facto de ser imprescindível saber comunica

r os limites aos outros de uma forma assertiva e tolerante. A outra pessoa não adivinha o que nos vai no pensamento, pelo que não devemos partir do pressuposto que tem obriga

ção de saber como queremos ser tratados. Assim, é essencial que exista uma comunicação clara entre os intervenientes da relação, de forma a que todos saibam o que estão a viver na interação.

São exemplos de um estabelecimento saudável de limites:

  • Dizer “não” a pedidos que vão contra a vontade e valores da pessoa, ou que lhe tragam algum prejuízo pessoal;
  • Fazer uma boa gestão entre as áreas de vida pessoal, profis
  • sional e familiar, ainda que isso implique, por exemplo, declinar trabalho.

Desenhar limites pessoais não é um ato de egoísmo – antes pelo contrário. Ao ter em conta os envolvidos, a existência de regras permite a todos saber exatamente onde estão na relação, melhorando a qualidade da comunicação e do relacionamento.