Saúde mental na atualidade

A saúde mental tem ganhado relevo nos assuntos da atualidade, e não é de estranhar. Já em 2017, estimava-se que, globalmente, pelo menos uma em cada dez pessoas sofria de um distúrbio psicológico (Ritchie&Roser, 2018). A estes dados já desatualizados, juntou-se uma pandemia mundial que tem afetado a saúde mental de forma incisiva. Segundo a OCDE (2021), a prevalência de ansiedade e depressão terá aumentado e, em alguns países, terá duplicado depois do surgimento da COVID-19. Infelizmente, a resposta em termos de oferta de apoio psicológico e psiquiátrico não acompanha o aumento da prevalência. O tratamento das doenças do foro psicológico continuam inacessíveis a grande parte das pessoas. Mais do que nunca, é necessário que se encontrem recursos terapêuticos acessíveis à maioria da população.

É aqui que introduzo os animais de estimação. De forma geral, pessoas com animais de estimação reportam que a sua qualidade de vida melhorou com a presença destes amigos. Essas melhorias revelam-se sobretudo na redução do stress.

Poderá isso significar que ter animais de companhia pode ajudar as pessoas com problemas de saúde mental?

Uma revisão sistemática (Brooks et al., 2018) reuniu informação suficiente para reportar que, ainda que não de forma inequívoca, a maioria das pessoas com questões de saúde mental beneficiam em ter animais de estimação.

Alguns desses benefícios são os seguintes:

  • Os animais são uma fonte consistente de calma, apoio e companhia;
  • São capazes de intuir o estado emocional dos donos, agindo em conformidade e estabelecendo uma conexão profunda e apaziguadora;
  • Funcionam como estímulo distrator, capaz de diminuir sintomas negativos/prejudiciais;
  • Contribuem para a existência de uma rotina ativa e útil (muito importante em distúrbios depressivos, nos quais é necessária a ativação comportamental da pessoa);
  • São importantes na manutenção de uma perceção de si positiva porque permitem que a pessoa viva uma relação recíproca;
  • Providenciam um sentimento de pertença, incentivado pela aceitação incondicional para com os donos;
  • Ajudam a reduzir o impacto negativo do estigma social;
  • Contribuem para a melhoria das relações sociais previamente existentes.

Por seu turno, existem resultados que apontam para efeitos neutros ou negativos na vida das pessoas com problemas de saúde mental.

Os efeitos negativos prendem-se maioritariamente a dois aspetos:

  • À perda (e medo da perda) do animal de estimação, causadora de grande sofrimento emocional;
  • À falta de capacidade que as pessoas podem ter para manter o animal saudável e cuidado (o que pode gerar sentimentos de culpa, tristeza, entre outros).

De um modo geral, as pessoas tendem a sentir-se melhor depois de adotar um animal de companhia, muito por causa da ligação que criam com eles. Mediante cada caso, pode ser uma ótima dica para combater sentimentos como a solidão, a inutilidade e a desmotivação diárias, tão características em vários distúrbios mentais.

 

Referências

Brooks, H. L., Rushton, K., Lovell, K., Bee, P., Walker, L., Grant, L., & Rogers, A. (2018). The power of support from companion animals for people living with mental health problems: A systematic review and narrative synthesis of the evidence. BMC Psychiatry, 18(1), 1–12. https://doi.org/10.1186/s12888-018-1613-2

OCDE (2021) – “TACKLING THE MENTAL HEALTH IMPACT OF THECOVID-19 CRISIS: ANINTEGRATED, WHOLE-OF-SOCIETY RESPONSE”. Retirado de: ‘https://www.oecd.org/coronavirus/policy-responses/tackling-the-mental-health-impact-of-the-covid-19-crisis-an-integrated-whole-of-society-response-0ccafa0b/’

Saloni Dattani, Hannah Ritchie and Max Roser (2018) – “Mental Health”. Publicado online em OurWorldInData.org. Retirado de: ‘https://ourworldindata.org/mental-health’