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Vício da Produtividade
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O vício da produtividade

Novembro 10, 2021by Joana Rolo

A produtividade torna-se tóxica quando não deixa espaço para sermos pessoas com necessidades além das consideradas “produtivas”.

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Entidade Reguladora da Saúde (E155633)

Não costumamos debruçar-nos acerca dos impactos qu Não costumamos debruçar-nos acerca dos impactos que os pacientes têm nos seus terapeutas e, aqui entre nós, acredito que por um bom motivo; é sobretudo importante cuidar de quem vem à procura do nosso suporte.

Ainda assim, creio que faz sentido, de vez em quando, olhar para o outro cadeirão e observar a pessoa que lá se senta - até porque ela representa 50% da relação terapêutica. Escolhi o dia nacional do Psicólogo para vos levar a refletir um bocadinho nisso comigo.

É frequente ouvir de pacientes que provavelmente nos esquecemos deles entre sessões... no que me toca, e acredito que à maioria dos meus colegas, essa ideia não podia estar mais errada. Muitas vezes demoro-me a ler sobre temas que interessam aos meus pacientes, ou imagino como estará X naquele momento, sofro com as suas perdas, vibro com as conquistas, transporto certos tópicos para o meu próprio desenvolvimento pessoal... Vem-me sempre à cabeça a famosa frase de Antoine de Saint-Exupéry: "Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós”. É exatamente isso que sinto. Com cada consulta que dou, descubro algo sobre a profissional e a pessoa que sou. 

Se me permitem o cliché, este trabalho, muito mais do que uma profissão, é um privilégio. E assim sendo, faz todo o sentido agradecer. Obrigada a todos os que já se sentaram nos nossos sofás e àqueles que ainda se hão de sentar. Obrigada também a todos os colegas que tornam esta profissão tão especial e com quem aprendo tanto, tanto! Obrigada à minha equipa de psicólogas, pelo presente que é poder confiar: @umaespeciedeciencia @raquelgoncalves.psi @materia.cinzenta @marianabarreira.psi @taniaoliveira.psicologa 

Hoje, que vivemos um dia de luto nacional, em que estamos todos dolorosamente impactados pela tragédia do elevador da Graça, é especialmente importante que possamos cuidar uns dos outros. Generosidade gera generosidade. 

Obrigada e cuidem-se muito, sempre 🍀
Uma leva de lembretes acerca da psicoterapia 📝 Uma leva de lembretes acerca da psicoterapia 📝
2025 vai trazer muitas boas novidades e está desve 2025 vai trazer muitas boas novidades e está desvendada a primeira delas: a partir de Janeiro, caminho em equipa! Cada uma destas profissionais acrescenta muito valor ao projeto, partilhamos a mesma visão sobre a psicoterapia e a saúde mental. A agenda está ABERTA! Para mais informações, contactem por mp, whatsapp/telemóvel (931069741) ou e-mail (info@joanarolo.pt) 🥰

Um abraço e votos de um excelente ano novo 🍾
Ir, ou precisar de ir, a consultas de psicologia n Ir, ou precisar de ir, a consultas de psicologia não deve ser usado como insulto, crítica ou comentário depreciativo. Há mil e um motivos válidos para qualquer um de nós ter acompanhamento psicoterapêutico, e nenhum retira valor àquilo que somos. Antes pelo contrário, muitas vezes acrescenta: significa que estamos dispostos a entrar em contacto com partes de nós que nem sempre nos estão tão acessíveis.

Aconselhar alguém a procurar ajuda psicológica deve ser encarado com a mesma seriedade e respeito com que se encara uma sugestão de, por exemplo, um médico oftalmologista, e não como uma insinuação descredibilizante acerca do outro.

Continuação de uma ótima semana 🍀 cuidem-se muito!
“Varrer para debaixo do tapete”, ou fazer por não “Varrer para debaixo do tapete”, ou fazer por não sentir, é uma das estratégias desadaptativas mais comuns de identificar em terapia. Talvez todos nos possamos, até certo ponto, rever neste comportamento que consiste em tentar contornar determinados pensamentos, emoções ou memórias com o objetivo de evitar o desconforto. Este mecanismo traz um certo alívio imediato, pois permite-nos que, em dado momento, não nos confrontemos com o que quer que seja que nos dói. 

Se é tão comum, mais do que identificarmos o mecanismo, talvez seja importante perceber porque nos tendemos a defender desta forma. Nesta publicação levanto algumas possibilidades. Certamente haverá mais. 

Compreender o porquê não mudará, por si só, o comportamento ou a tendência para o evitamento… mas ajudará a que façamos ligações importantes à compreensão integrada daquilo que somos e fazemos. Com sorte, podemos entender que as estratégias desadaptativas que aprendemos no passado já não nos são úteis nem benéficas no presente e talvez isso nos possa levar a tentar outros movimentos. 

No fundo, como com a terapia, o que é importante é que possamos refletir sobre estes comportamentos, estabelecer ligações e transformar isso numa força motriz que nos leve a sítios melhores e mais adaptativos.

Seja qual for o motivo que nos leve a varrer certas emoções para debaixo do tapete, a estratégia será contraproducente, pois quanto mais evitamos as nossas emoções, mais elas surgem de forma intensa, imprevisível e incontrolável. Daí que seja tão importante permitirmo-nos a sentir. 🍀
Tipos de emoções Uma das frases que mais digo em Tipos de emoções

Uma das frases que mais digo em terapia é «as emoções transportam mensagens importantes». De facto, de acordo com a Terapia Focada nas Emoções, as emoções transmitem-nos a informação necessária para que possamos agir em conformidade com a situação que vivemos. As emoções são, por isso, um recurso essencial na nossa relação com o mundo - e connosco.

“Quando as pessoas sabem o que estão a sentir, entram em contacto com as suas necessidades e sentem motivação para as satisfazer” (Greenberg, L., 2014). Por isso é tão importante compreendermos o que se passa com as nossas reações emocionais e de que forma elas estão a ser adaptativas e funcionais ou, pelo contrário, desapropriadas e prejudiciais.

É importante aceitarmos as nossas emoções primárias, mais do que tentar evitá-las ou mascará-las. Como diz Greenberg: “Quando aquilo que estava recusado é sentido, então, muda”. 🍀
É com extrema satisfação que vejo cada vez mais a É com extrema satisfação que vejo cada vez mais a psicoterapia ganhar relevância no espaço mediático e sobretudo na vida das pessoas. Hoje em dia, a vergonha que antes estrangulava muitas vezes a possibilidade de se recorrer ou de assumir que se recorria à psicoterapia está cada vez mais mitigada. Esta publicação não pretende promover, de todo, o afastamento das pessoas a este recurso maravilhoso que é a terapia. Antes, tenho o objetivo de informar qual o outro lado da moeda, um lado menos falado mas nem por isso menos relevante. Fico sempre apreensiva quando confrontada com retratos idílicos daquilo que se passa dentro (e fora) do consultório psicoterapêutico. Quem faz, ou já fez, terapia sabe que muitas vezes o que acontece dentro das sessões tem pouco de leve, bonito, ou fácil. Faz parte do processo navegar por mares bem tempestuosos, é também nisso que está a riqueza das sessões. 

A mensagem de esperança é que, na maioria das vezes, vale a pena lutar e resistir pelo que nos faz sentido para chegarmos à outra margem, mais completos e seguros de nós.
As pressões (assoberbantes) que os novos adultos s As pressões (assoberbantes) que os novos adultos sentem nos dias de hoje é um dos temas mais frequentes nas minhas sessões. Não que seja algo novo - todas as gerações viveram os seus próprios (e duros) desafios -, mas este tema chega-me tantas vezes que seria impossível não parar para refletir sobre ele. 

Existem certos marcos que são como que integrantes de um guião de vida. Esse “roteiro” é passado de geração em geração, com alguns cortes e outros acrescentos, e é também moldado pela sociedade, acontecimentos externos e expectativas que daí possam resultar. 

Com o aparecimento e crescimento do mundo online, a libertação de alguns regimes ditatoriais, o avanço da ciência e o fortalecimento/nascimento de certos valores, as possibilidades desse guião sofreram uma enorme expansão e, com isso, foram explorados caminhos que, há umas décadas, seriam muito improváveis. O aumento das possibilidades de escolha e a melhoria de algumas condições de vida fez com que mais pessoas parassem para refletir naquilo que realmente queriam.

Então, porque é que os adultos de hoje estão tão ansiosos com o futuro e insatisfeitos com o presente? Porque é que o medo de perder algo, de ficar de fora ou para trás é uma constante nas suas vidas? Neste post exploramos alguns dos motivos. 

Não é fácil lutar contra pressões, sejam externas, sejam internas. Mas é importante lembrar que não há ninguém que te conheça melhor do que tu mesmo e, no final do dia, és tu que tem de viver com as tuas escolhas.

Larguemos os guiões que não nos servem para que possamos viver uma vida que nos faça sentido.
Será a autocrítica essencial ao nosso desenvolvime Será a autocrítica essencial ao nosso desenvolvimento pessoal?

Frequentemente me deparo com esta crença em consulta: a de que para nos melhorarmos, temos primeiro de ser críticos connosco. Mas será sempre esse o caso?

Golan Sharar, psicólogo clínico e da saúde, debruçou-se sobre este tema e discorreu sobre ele num livro a que chamou “Erosion: The Psychopathology of Self-critiscm”. Segundo o autor, o autocriticismo é uma relação intensa e persistente que mantemos connosco que se caracteriza por duas componentes: 1) uma incansável busca por um desempenho irrepreensível e 2) uma expressão de hostilidade autodirigida quando esses elevados padrões performativos não são alcançados. Deste modo, para o clínico, a autocrítica não é um mero apontar de pontos fracos, mas antes uma combinação de uma exigência exacerbada que mantemos connosco, acompanhada por uma facilidade de nos dirigirmos palavras duras e culpabilizantes.

Voltemos à pergunta inicial. Precisaremos da autocrítica para nos desenvolvermos enquanto pessoas? Não necessariamente. A autocrítica não impulsiona o desenvolvimento pessoal, uma vez que tende a focar somente os aspetos negativos da pessoa, contribuindo para uma autoimagem enviesa e distorcida. Isso causa, frequentemente, sofrimento.

É possível desenvolver uma relação consciente e saudável consigo, identificando e responsabilizando-se pelos seus pontos negativos, de forma a poder melhorar-se a cada dia.
Para tal, mais do que fazer uso da autocrítica, é útil adotar uma postura autocompassiva que encare a pessoa como um todo, inserida num determinado tempo, contexto e com toda a bagagem que carrega com ela. 

Pensemos no seguinte: quando vemos alguém de quem gostamos a sofrer, não tendemos a insultá-lo. Antes tratamos de dizer a verdade com carinho e compaixão - mesmo quando apontamos aspetos a melhorar. Então, porque não temos o mesmo cuidado connosco?

Faz sentido? 

Cuidem-se muito :)
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