Redes Sociais na Adolescência

Dezembro 3, 2021by Joana Rolo

A grande maioria dos adolescentes entre os 12 e os 17 anos tem acesso direto e frequente às redes sociais. Segundo a OCDE (2018), um adolescente típico de 15 anos usa a internet desde os 10 e passa duas horas por dia útil na internet, subindo esse valor para três horas aos fins-de-semana.

Por ser um fenómeno recente, ainda há falta de evidência científica que comprove os benefícios e os malefícios deste uso recorrente na saúde mental dos jovens. De acordo com os dados existentes, parece que o uso esporádico-moderado pode ter um impacto positivo no bem-estar dos adolescentes. Por outro lado, utilizações excessivas parecem ter efeitos negativos na sua satisfação de vida (OCDE, 2017).

Dados recolhidos pela OCDE e pelo Pew Research Center (2018) dão conta de que as redes sociais têm impactos positivos e negativos na qualidade de vida dos adolescentes, estando a valência desses efeitos dependente do acompanhamento parental, tempo passado online e experiências pessoais/sociais de cada um.

Efeitos positivos

Dentro dos efeitos positivos está o sentimento de inclusão/integração: as redes sociais são espaços que permitem a partilha de experiências pessoais, potenciando o estreitamento de ligações. Este impacto é especialmente relevante em minorias sociais, que nem sempre conseguindo o sentimento de pertença nas escolas, procuram-no e encontram-no online. Além disso, os adolescentes americanos referem ainda como consequências positivas: a melhoria da autoconfiança/autoestima, a diminuição de sintomas depressivos, o sentirem-se extrovertidos e a diminuição da sua timidez. Quanto à qualidade da conexão social conseguida online, os jovens assumem como benéfica a ajuda na manutenção das suas relações familiares e escolares, bem como o impulsionamento no estabelecimento de novos relacionamentos (James et al., 2018).

Efeitos negativos

Por seu turno, os efeitos negativos dizem respeito a interferências na qualidade do sono e ao aumento de sintomatologia depressiva e ansiosa. Na base destas consequências está o pressuposto de que o adolescente cria uma dependência pelo estímulo social que o impele a estar constantemente a verificar se há novas mensagens ou novidades online. Esse ímpeto pode gerar ansiedade e interferir com o sono, uma vez que não permite ao jovem desligar-se do mundo internauta no tempo de descanso. Há algumas associações estabelecidas entre o uso intensivo de aplicações online e a excessiva preocupação com a imagem corporal, bem como com as perturbações alimentares; no entanto, são evidências parcas que carecem de mais investigação (OCDE, 2018). Também o ciber-bullying é uma consequência negativa do uso das redes sociais, embora paradoxalmente também seja nas redes que muitas vítimas encontram suporte emocional. De um modo geral, os adolescentes reportam ainda como consequências negativas do uso das redes sociais: a pressão social, os défices atencionais (concentração e atenção, sobretudo) e uma menor satisfação de vida (James et al., 2018), uma vez que a comparação social está constantemente a interferir com o sentido da própria qualidade de vida.

Recomendações aos cuidadores

Sendo esta uma experiência tão idiossincrática, cabe aos pais/cuidadores adotarem um papel ativo no acompanhamento da vida internáutica dos adolescentes. A OCDE (2018) propõe que os encarregados de educação empoderem os jovens no sentido de torná-los conscientes e responsáveis pelo tempo que passam online. Para isso, é imprescindível que se abra um canal de comunicação claro e assertivo, cabendo aos pais a explicitação dos perigos que diferentes redes, aplicações e interações podem ter. Além disso, é importante que o tempo de uso de tecnologias seja adaptado à faixa etária e à responsabilidade demonstrada do adolescente, sendo que as regras e limites devem ser bem definidos e explicados.

O adolescente deve, dentro das suas capacidades, assumir a responsabilidade pelo uso que faz da internet. Um uso responsável e saudável das redes sociais promove não só a sua saúde mental, como também a dos seus pares.

 

Referências:

James C, Davis K, Charmaraman L, Konrath S, Slovak P, Weinstein E, Yarosh L. Digital Life and Youth Well-being, Social Connectedness, Empathy, and Narcissism. Pediatrics. 2017 ;140(Suppl 2):S71-S75. doi: 10.1542/peds.2016-1758F. PMID: 29093036.
OCDE (2018). Children & Young People’s Mental Health in the Digital Age. Retrieved from https://www.oecd.org/els/health-systems/Children-and-Young-People-Mental-Health-in-the-Digital-Age.pdf
Pew Research Center (2018), How Teens and Parents Navigate Screen Time and Devise Distractions,
http://assets.pewresearch.org/wp-content/uploads/
sites/14/2018/08/21153052/PI_2018.08.22_teens-screentime_FINAL.pdf